Literatura Fantástica



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    [Mayarend] Infância (título provisório)

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    mayarend

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    [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Dom Abr 25, 2010 10:38 pm

    Introdução

    O mundo se tingia de vermelho enquanto o Sol se punha atrás dos morros. Eu assistia a noite cair sem saber o que viria a seguir. Aquele poderia ser meu último por do Sol, ou o primeiro de minha nova vida.
    De repente minha imagem brilhou e se alterou e notei que chorava. Não por alguém ou algo, mas por um fim que, de uma forma ou outra, é triste.

    Levantei-me e fui em direção a meu destino, meu objetivo e origem, toda a razão do meu ser, meu Jason.

    Seu lindo cabelo escuro, chacoalhando ao vento enquanto me esperava ao pé do morro encostado em seu carro. Seu rosto mirando o Sol, seus lábios entreabertos em um sorriso, seus olhos fechados se abriram quando cheguei perto dele, correndo, e me atirei em seus braços.

    Eu era humana até hoje pela manhã. Há uma semana, eu não teria imaginado que estaria aqui, agora, com Jason, pronta para morrer. Bom, não exatamente morrer, ou não poderia escrever, andar ou sorrir. Não, não morta, mas, na verdade, não-morta, imortal, incapaz de morrer. Uma vampira, como Jason.

    Em uma semana minha vida mudara completamente, mas não mudaria mais, não nas partes importantes: eu não morreria facilmente, não me separaria de Jason e me alimentaria de sangue humano. 3 premissas simples.

    A primeira vez que vi Jason, exatamente uma semana atrás, me parece tão distante agora. Claro que nunca me esquecerei de nada que aconteceu então, após vê-lo, mas ainda assim, são tantas lembranças, tantas sensações, tantas emoções.
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    mayarend

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Seg Abr 26, 2010 12:57 pm

    Capítulo 1 - O Encontro (Parte I)

    É claro que eu sabia quem ele era... "Brown eyes, black hair", como
    dizia minha amiga ("Nice ass" ela adicionaria ao vê-lo sair), ele ia
    todos os dias à lanchonete onde eu trabalhei nos últimos 2 verões e
    agora se tornara meu emprego fixo.

    Jason Jones, o homem estranho da região - um pequeno bairro de uma
    grande cidade - lindo de morrer, inteligente e perfeito, mas
    antipático, solitário e metódico. Todos os dias, durante os 4 anos que
    ele passou nesse buraco de cidade, ele fez a mesma coisa, saiu de casa,
    passou na lanchonete comprou um jornal, sentou-se e leu-o tomando café.
    Após, saiu para.. Bom, ninguém sabia - e ninguém tinha coragem de
    perguntar.

    Lindo e misterioso - tudo que pai nenhum deseja para sua filha e tudo
    que uma mulher quer para suas aventuras mais sórdidas. Eu? Eu tinha
    medo dele.

    Corriam histórias pela cidade: que ele era rico, excêntrico, que era um
    assassino, rico com o saque de suas vítimas, que o filho desse ou
    daquele famoso, se falava de tudo.

    Mas ninguém chegava tão perto da realidade quanto a minha bisavó.

    - Ele é imortal - ela dizia - ele morava aqui quando eu tinha a sua
    idade e se mudou 7 anos depois. Fazem uns 90 anos, mas nunca vou
    esquecer: eu era apaixonada por ele. Ora, todas éramos.

    Claro que não acreditávamos nela, pensávamos que era a idade, que ela o
    estava confundindo com alguém de sua juventude, mas agora sei que ela
    tinha razão. Ele é imortal, assim como agora também sou.
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    Luizdreamhope

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Luizdreamhope em Sex Abr 30, 2010 3:27 pm

    A escrita está legal e tudo mais. Mas Crepúsculo como inspiração já encheu. Sei que é uma tema legal, mas tá todo mundo fazendo história deste tipo, e isso não me agrada.
    Mas de qualquer forma, boa sorte com sua história.

    Leonardo Schabbach
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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Leonardo Schabbach em Sex Abr 30, 2010 5:22 pm

    Eu não curto vampiros também. Mas acho que é um excelente tema. Se souber fazer bem feito, o que não falta hoje é público. Ainda não li, mas comentando o que o Luiz comentou, eu não curto muito, assim como ele, mas pra galera que gosta, se for uma boa história é um prato cheio.


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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Sex Abr 30, 2010 6:32 pm

    hahaha
    Bom... Crepúsculo inspirou só a primeira cena, eu juro Wink

    Depois eu pensei "nope. Vampiros bonzinhos demais não rola" Wink

    Leonardo Schabbach
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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Leonardo Schabbach em Sex Abr 30, 2010 6:33 pm

    Muito menos que brilhem no sol, por favor


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    Isie Fernandes

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Isie Fernandes em Sab Maio 01, 2010 3:04 am

    May, passei no teu blog e li a história... Eu li fora da ordem e não entendi nada (népia), depois voltei e li na ordem correta. (rsrsrs) Eu também não sou fã de vampiros, não porque já esteja saturada, não li nada sobre isso - é gosto mesmo.
    Mas seu texto é legal, eu gostei, a história também é bastante interessante. Só uma dica: os personagens falam certinho demais. Tenho alguns amigos que falam assim, porém isso não é comum em diálogos corriqueiros. Wink

    Aguardo as novas postagens. Very Happy

    Isie.
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    mayarend

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Sab Maio 01, 2010 11:22 pm

    Leonardo Schabbach escreveu:Muito menos que brilhem no sol, por favor

    hehehehe Definitivamente.
    Ainda estou tentando pensar em como meu personagem sai de dia XD
    Mas não é brilho, definitivamente XD


    Isie - Não sei, escrevo mais ou menos como eu falo, mas talvez seja eu... Na minha área de trabalho sinto uma tendência a falarmos corretamente, mas vou revisar, ver se não está correto demais Razz
    Obrigada pela dica!
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    Isie Fernandes

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Maio 02, 2010 8:40 am

    mayarend escreveu:Isie - Não sei, escrevo mais ou menos como eu falo, mas talvez seja eu... Na minha área de trabalho sinto uma tendência a falarmos corretamente, mas vou revisar, ver se não está correto demais Razz
    Obrigada pela dica!

    Oi, May.

    Já eu sou travada pra escrever. Leonardo que chamou minha atenção(Hehe!). Eu até que converso "normalzinho", mas na hora de escrever... É "para" daqui e "para" dali, muitos "entretanto, todavia, contudo"... Por mais que falemos "arrumadinho" - gramaticalmente dizendo, porque na língua falada não existe "correto" -, devemos levar em conta que nem todos falamos assim.
    Ano passado, li "Preconceito Linguístico" de Marcos Bagno. Segundo Bagno, dizer que alguém fala errado é preconceito linguístico. Então, os personagens podem falar gírias, dialetos, discordâncias... Mas nós, os escritores, precisamos escrever conforme as regras da gramática normativa.
    Sendo assim, que os personagens falem à vontade! Smile
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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 02, 2010 2:16 pm

    Isie Fernandes escreveu:
    mayarend escreveu:Isie - Não sei, escrevo mais ou menos como eu falo, mas talvez seja eu... Na minha área de trabalho sinto uma tendência a falarmos corretamente, mas vou revisar, ver se não está correto demais Razz
    Obrigada pela dica!

    Oi, May.

    Já eu sou travada pra escrever. Leonardo que chamou minha atenção(Hehe!). Eu até que converso "normalzinho", mas na hora de escrever... É "para" daqui e "para" dali, muitos "entretanto, todavia, contudo"... Por mais que falemos "arrumadinho" - gramaticalmente dizendo, porque na língua falada não existe "correto" -, devemos levar em conta que nem todos falamos assim.
    Ano passado, li "Preconceito Linguístico" de Marcos Bagno. Segundo Bagno, dizer que alguém fala errado é preconceito linguístico. Então, os personagens podem falar gírias, dialetos, discordâncias... Mas nós, os escritores, precisamos escrever conforme as regras da gramática normativa.
    Sendo assim, que os personagens falem à vontade! Smile

    Bom, confesso que tenho que me limitar para não escrever "tu" e "mas bah" hahaha
    Tenho uma tendência de mandar emails dizendo "tu foste para..." porém não falo assim, então evito na história Smile
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    Isie Fernandes

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Maio 02, 2010 3:19 pm

    mayarend escreveu:Bom, confesso que tenho que me limitar para não escrever "tu" e "mas bah" hahaha
    Tenho uma tendência de mandar emails dizendo "tu foste para..." porém não falo assim, então evito na história Smile

    Hahaha! É algo difícil demais porque fomos engessados pelos professores de português. Mas a coisa agora mudou de figura. Embora sejamos obrigados a escrever segundo as regras gramaticais, não precisamos ser tão "certinhos" - no bom sentido. Pensei que você falasse "tu" por ser sulista... (rsrsrs) Bem que alguns dos nossos personagens podem falar assim, não? Deu até vontade de criar um tópico sobre o assunto.
    Ah, depois dê uma passadinha lá no Dicas para Escritores - 12 Exercícios para melhorar seus diálogos; estamos discutindo sobre o assunto. Wink
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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 02, 2010 3:26 pm

    Isie, eu falo tu por ser sulista sim hehehe
    A diferença é que aqui nós conjugamos o tu com o verbo como você... "Tu vai, tu foi" e não como é correto, "tu foste, tu vais" entende? Wink

    E sim, eu dei uma lida nesse tópico... Vou pra lá com essas questões Smile
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    Isie Fernandes

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Maio 02, 2010 4:04 pm

    Ótimo, tô sentindo que vamos ter muito pra discutir... Não é errado você escrever assim, se estiver escrevendo falas; estará incorreto apenas nas narrações. Esse fenômeno se chama variação da língua, algumas regiões chegam a ter dialetos.
    Nós, aqui do Nordeste, falamos "vixe", "oxe", "oxente", "ò paí, ó!", "retado" - o pessoal do interior também fala "tu foi", "tu vai"...
    Nossos personagens são livres para falar. Tenho um, em particular, que fala gírias - e gírias que ele mesmo inventa (pesquei algumas nas conversas com meus amigos músicos: "você que é você", "quilos de assuntos", "saci" = terror, "na lata"...).
    A nossa língua é mesmo maravilhosa! Smile
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    Capítulo 1 - O Encontro II

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 09, 2010 10:59 pm

    (continuando, vou postar tudo que tenho até agora nos próximos posts)

    Naquele dia, como sempre, Jason saiu da lanchonete e foi para casa. Apenas uma coisa estava errada - ele havia esquecido a carteira e meu chefe me pediu para levá-la a ele.
    Contrafeita, fui até sua casa, toquei a campainha e lhe entreguei a carteira. Ele atendeu à porta ainda mais lindo que sempre - tão lindo que dava medo -, sem camisa, sua pele clara refulgia, sua expressão um pouco irritada por ter sua privacidade interrompida daquela forma.

    Após pegar a carteira, ele virou as costas e puxou a porta, mas, rapidamente, coloquei meu pé para impedi-lo. Ele me olhou com um misto de surpresa e irritação.

    - Você deveria agradecer - eu disse, olhando diretamente em seus olhos - é o que as pessoas NORMAIS fazem quando alguém lhes faz um favor.

    - Favor? - ele disse, sustentando meu olhar de forma quase dolorosa - ok. Obrigado. Posso fechar a porta agora?

    - Não sei por que elas suspiram tanto por você - respondi, ressentida, tirando o pé do vão da porta e me virando para sair, enquanto ele batia a porta com raiva.
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    Capítulo 1 - O Encontro III

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 09, 2010 10:59 pm

    Voltei andando para a lanchonete, pisando forte, irritada. Resmungando:
    - Que grosseiro, que rude. Só pode ser algum caipira excêntrico. Como pode ser tão irritante. Como podem gostar tanto assim dele? Idiotas. Só podem ser idiotas mesmo. Preciso ir embora dessa cidade.

    - Oh, pare de reclamar e vá de uma vez - veio uma voz da minha direita, acompanhada de uma risada. Clara, cristalina. - Como você deixa o humor alheio lhe afetar tanto assim? - disse Jason

    Eu gelei. Como? Como ele poderia ter chegado ali tão rápido? Por que tinha mudado de humor tão rapidamente? E, mais do que tudo, por que diabos estava me seguindo, falando comigo ou se importando com o que eu estava resmungando.

    - Saia de perto de mim. Suas opiniões não me interessam e minha vida não é da sua conta - respondi.

    - Oras, mas quem está sendo rude agora? - ele riu, novamente, parecendo muito divertido com minha reação.

    Olhei para ele com meu melhor olhar fulminante, só de birra, não falei nada e saí em direção à lanchonete. Por sorte nenhum de meus colegas viu a cena, ou poderiam comentar que eu estava implicando com o cliente.
    Trabalhei o restante do dia irritada, tentando ser gentil e sorrir, apesar daquilo ser uma tortura. Eu só queria ir para casa.
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    Capítulo 2 - Diferente

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 09, 2010 11:00 pm

    Capítulo 2 - Diferente

    Já faziam 3 dias de nosso "encontro" e nada de Jason. Ele não apareceu na lanchonete, o que definitivamente não me incomodava - não queria nem vê-lo, porém me deixava preocupada, pois alguém poderia ligar isso ao fato que eu fui entregar a carteira na casa dele e perguntar se eu sabia de algo... Eu não queria acreditar que poderia ser culpa minha. Não. Com certeza era algo diferente, ele foi viajar ou, quem sabe, finalmente se mudou da cidade.
    Meu chefe, no 4° dia, resolveu juntar 1+1:
    - Hannah, por acaso aconteceu alguma coisa estranha quando você foi levar a carteira do Sr. Jones?

    - Oras, é claro que não! -já ficando vermelha

    - Mas.. Tem certeza?

    - Chefe! Por que você tem de assumir logo que é culpa minha? É óbvio que é uma coincidência, ele deve ter ido viajar ou algo assim...

    - É... Acho que sim...

    Ele foi embora, me deixando mais aliviada que ele engoliu minha justificativa, mas mais apreensiva porque eu mesma não acreditava nela, agora menos do que antes. Eu ouvia minhas palavras, mas ao mesmo tempo pensava que em 4 anos que o conhecia, ele nunca tinha alterado seus hábitos, sempre o mesmo café, o mesmo jornal, na mesma mesa.
    Trabalhei o dia inteiro me convencendo de que estava sendo paranoica, de que não era minha culpa, sorrindo por fora e me martirizando por dentro.

    Quando o meu turno terminou, muito mais tarde do que eu gostaria, fui para casa, cansada, irritada, ainda tentando me convencer de que não era minha culpa e falhando miseravelmente.

    Ao chegar na minha casa, lá estava ele. Sentado na varanda, imóvel como uma estátua de mármore, lindo, perfeito, com sua pele clara, apenas o vento em seus cabelos me fazia crer que ele não era, na verdade, uma cópia fiel, em pedra, de Jason.

    - E o que VOCÊ está fazendo aqui? - disse, já desejando que fosse minha imaginação culpada e soando muito mais agressiva do que queria soar.
    - Ora, ora, calma aí! Por que tanta agressividade? Só vim aqui lhe agradecer devidamente! - ele disse, e foi só então que notei um buquê de rosas em suas mãos. Rosas vermelho sangue. - Sinto muito por minhas atitudes anteriores, agradeço a boa vontade de ter levado minha carteira para mim, não era necessário, já que eu voltaria à lanchonete em breve, mas lhe agradeço. - completou, com um sorriso.

    - Mas... Eu... - fiquei sem fala, pegando as rosas que ele me alcançava. Como ele podia mudar de atitude assim? - Eu lhe agradeço. Sinto muito se reagi agressivamente.

    - Tudo bem, foi minha culpa, eu que provoquei, agi sem pensar e sinto muito - disse Jason, abrindo ainda mais o sorriso. A lua já estava no céu e iluminava seu rosto de uma forma linda, seus cabelos balançando ao vento, seus olhos encantadoramente focados em mim, me fazendo sentir aquecida e adorada.

    - Eu.. Agradeço.. As flores, sabe? - Notei que estava corada, suando frio e calafrios subiam pela minha espinha.

    - Ora..Não seja por isso... Hannah - ele disse meu nome em um suspiro e eu fechei os olhos, uma brisa passou por mim, fazendo meus cabelos voarem e meu corpo todo se arrepiar. Quando abri os olhos, ele tinha sumido e eu estava sozinha na varanda de casa, a única prova de sua presença, eram as lindas rosas nas minhas mãos.
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    Capítulo 2 - Diferente II

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 09, 2010 11:01 pm

    Fiquei ali fora, parada, por vários minutos, sentindo o vento, mirando o espaço vazio onde ele estava. Por que, mesmo, eu estava com raiva dele? Por que eu estava incomodada?
    Ele era um rapaz tão encantador...
    Então uma nuvem encobriu a lua, pisquei diversas vezes e foi como se saísse de um encatamento. Ele não era encantador, era assustador, com seus hábitos metódicos e sua personalidade sombria e extremamente privada, era rude, grosseiro ou, no mínimo, seco. Não havia motivos para que eu ficasse toda deslumbrada!

    - Flores... Como se ninguém mais pudesse me trazer FLORES - resmunguei, entrando em casa.

    Deixei-as em uma mesinha e me sentei no sofá, cansada, tirei os sapatos.

    - Quem ele acha que é? Chegando aqui daquele jeito, achando que vai arrasar? Acha que sou fácil, como essas menininhas bobas que correm atrás dele? Não sou uma de suas groupies! Além disso, ele só complicou a minha vida por não ir na lanchonete... E por que ele não foi mesmo? Ele disse que... Não, ele não disse nada!!

    Logo em seguida, acordei com a campainha tocando. Levantei e fui até a porta, olhei pelo "olho mágico". Era ele. Praguejei baixinho.

    - O que ELE quer aqui agora? Por que não me deixa em paz?
    Compus meu melhor sorriso, arrumei meu cabelo que estava todo amassado e abri a porta:

    - Sim?

    - Hannah - ele disse, suavemente, fazendo meu nome deslizar de seus lábios, como uma prece - Há centenas de anos que lhe procuro. Não acredito que passei tanto tempo nessa cidade sem notá-la, você parece uma deusa grega, seus cabelos cor de mel, seus olhos verdes, tudo em você me faz suspirar.

    Fiquei encarando-o como se nunca tivesse visto um homem na minha vida. Não havia palavras para expressar o que sentia... Uma mistura de "Como é?" com "Que diabos?" e "tá brincando, né?". De repente aquela expressão encantadora dele mudou para dúvida, ele parecia tão confuso quanto eu, parecia que não tinha certeza do que tinha-o levado ali, uma sombra passou por seu rosto e Jason pareceu cansado, muito mais velho do que realmente era e cansado.

    - Você... - ele olhou em volta, procurando algum apoio, se escorando no marco da porta - Você se importaria se eu entrasse? Preciso me sentar.

    Hesitei. Não queria que ele entrasse em minha casa. Não queria que ele soubesse que morava sozinha, que não me importava muito com o estado da casa ou que não trancava a janela dos fundos. Mas todas essas preocupações passaram quando vi seu rosto: ele parecia doente, velho e desesperado.

    - Entre, por favor, sente-se aqui, no sofá - tentei apoiá-lo, para facilitar o caminho até o sofá mas ele recusou. Apesar de tudo, ainda era orgulhoso.
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    mayarend

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    Capítulo 2 - Diferente III

    Mensagem por mayarend em Dom Maio 09, 2010 11:01 pm

    Ele entrou, tropeçando em seus pés e se atirou no sofá, ocupando todo o espaço.

    - Sinto muito, eu... Não queria que fosse assim. Digamos que minha saúde não anda tão boa quanto era - apesar de seus olhos continuarem sérios, ele deu uma gargalhada, alta, irônica. - Desculpa, eu sei, não é nada engraçado - ele disse, mas riu novamente, de uma forma estranha, quase maníaca.

    - Bom... Ahm... Ook. Quer alguma coisa? Posso lhe ajudar? Algo para beber ou talvez alguma comida? Pode ser pressão baixa, nesse caso sal ajuda. - Eu continuava tentando ser uma boa anfitriã, apesar da situação ficar mais estranha a cada minuto.

    - Não se preocupe, o que eu preciso você não vai querer me dar...

    - Try me. Fale, o que é? - ele claramente queria aguçar minha curiosidade. E funcionou.

    - Bom. Se você insiste... Venha mais perto. - ele se endireitou no sofá e fez sinal com a mão, me olhando diretamente nos olhos. -Não quer que um homem doente tenha que falar gritando, né? - seus olhos pareciam se divertir com a situação, apesar de estar sério, eu tive a nítida impressão de que ele estava reprimindo um sorriso.

    Me aproximei, a curiosidade era muito maior que a prudência, minha mente gritava, esperneava, me avisando "Não, não vá, é perigoso, você não o conhece", mas eu decidi: eu precisava saber.

    Me aproximei dele, cuidadosamente, ele fez sinal com as mãos, para que chegasse mais perto. Quando notei, estava quase em seu colo, virada de frente para ele, com meu rosto perto do dele, meu ouvido perto de sua boca.

    - Você é um delicioso desafio Hannah - ele sussurrou, quase encostando os lábios em minha orelha - Difícil, complicada, tão incomum...
    Ele foi baixando os lábios e beijou minha orelha, descendo, vagarosamente, pelo meu rosto. Fechei os olhos, a sensação era muito boa, era como se apenas houvesse eu e ele no mundo, como se estivesse hipnotizada. Ele continuou descendo, beijando meu pescoço, eu sentia o calor do seu hálito, através de seus lábios entreabertos e pensava "por que mesmo eu hesitei?". Foi então que eu senti. Uma dor lancinante, terrível, que parecia atravessar meu corpo, parecia que eu tinha sido perfurada por uma lâmina, mas eu estava imóvel, não conseguia me mexer e notei que o ponto do qual se irradiava a dor era meu pescoço - mais especificamente, os lábios de Jason.
    Eu queria gritar, mas não conseguia, eu queria chorar, mas as lágrimas não saíam. Quando, finalmente, ele me soltou, pulei para longe, senti uma tontura horrível, eu estava fraca, algo estava errado! Levei minha mão ao pescoço, meu corpo inteiro ainda latejando de dor e senti algo molhado, quente. Quando olhei para minha mão, notei que eu estava sangrando e Jason, ah Jason, estava em toda sua glória, com uma expressão de um homem que faz a primeira refeição depois de dias sem comer, com os lábios manchados de vermelho, suas presas brancas contrastando com o rubor da sua face.
    Foi então que uma palavra vagou na minha mente: "Vampiro" e eu gritei. Gritei e gritei, mas o som não aprecia minha voz.

    Foi então que acordei. Gritando, é claro. Imediatamente levei minha mão ao pescoço, que estava intacto. O telefone tocava - esse era o som do meu grito, no sonho.

    - Sonho? Não, pesadelo. Pesadelo, é isso o que foi, apenas um sonho ruim. - eu disse para mim mesma, tentando acalmar meu coração que parecia querer saltar do meu corpo.

    Levantei e atendi o telefone:

    - Ah, oi mãe. É, eu estava dormindo... Não, imagina! - nesse momento eu ouço um barulho e imadiatamente penso "A janela dos fundos!" - Já te ligo!

    Desliguei o telefone e saí correndo, quando cheguei perto dos fundos, vi, claramente, Jason na janela. Meu coração disparou novamente, comecei a suar frio, ele estava com o rosto igual ao meu sonho, os lábios vermelhos, as presas brancas.
    Corri para a porta, a adrenalina correndo em meu sangue, abri e saí de casa, procurando por Jason. Ele não estava ali, não estava em lugar nenhum! Eu olhei em volta, procurei entre as árvores, procurei no quintal: ele tinha sumido... Ou será que nunca esteve ali? Eu estaria louca ou ainda sonhando?
    Me convenci de que era apenas um galho na janela e que imaginei seu rosto ali, fiquei impressionada por aquele pesadelo, tão vívido e ao mesmo tempo tão surreal.
    Fui me arrastando para a cozinha, tomei um leite morno e me joguei na cama, tentando, desta vez, dormir um sono completamente sem sonhos.

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    Re: [Mayarend] Infância (título provisório)

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      Data/hora atual: Dom Dez 17, 2017 6:52 am