Literatura Fantástica



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    [Vail] Um caso de amor.

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    Vail

    Mensagens : 11
    Data de inscrição : 29/04/2010

    [Vail] Um caso de amor.

    Mensagem por Vail em Qui Abr 29, 2010 5:05 pm

    Marcos chegara em casa um pouco mais tarde do que de costume.
    Foi o ultimo dia no curso pré-vestibular que fazia. Estava contente e ansioso para ver se seu esforço iria render bons frutos.
    Tomou um banho longo e quente. Isso começou a ser parte do ritual diário que adotou depois que começou a fazer o curso. Recapitulava as matérias que vira durante o dia: física, biologia, português... e inevitavelmente pensava em Isabel.
    As poucas vezes que seus olhos se cruzaram hoje foram suficientes para lhe tirar a respiração. Se achava tão bobo.
    Depois de quarenta minutos, Marcos saiu do banho. Sua mãe estava reclamando da porta. Ela deixara um prato com comida na escrivaninha do quarto que esfriava rapidamente.
    Marcos sentou e começou a ler mesmo enquanto comia, um hábito antigo. Estranhamente encontrou uma página dobrada que, solta, caiu do livro.
    Numa letra bem redonda e caprichada estava escrito seu nome: Marcos.

    Dona Estela, sentada no sofá da sala levou um tremendo susto quando seu filho, Marcos, descera as escadas e correra para a rua como se a casa estivesse desabando.
    Ela olhou pela janela para rua, mas Marcos já havia sumido.
    Para onde será, a esta hora da noite, que ele foi com essa pressa toda?
    Dona Estela olhou para o relógio. Eram onze e meia... muito tarde. Preocupada ela subiu ao quarto de Marcos. Tudo normal.
    Ao lado do prato de comida em cima da escrivaninha, Dona Estela encontrou uma folha, rosa e perfumada.
    E leu:

    “Queria muito falar com você hoje, mas como sempre, não tive coragem.
    Covardia. Foi o meu maior pecado nestes últimos três meses, não sei se ele é um dos capitais. Tomara que não, ou eu tô frita.
    Te escrever assim, no ultimo dia de aula, pouco antes da despedida, é como bater e correr, que covardia eu sei.
    Mas não me culpe, acho que não suportaria terminar um período tão bom com uma decepção.
    Eu queria lembrar de você alegre, como sempre foi. Não quero ter na lembrança seu sorriso amarelo, seus olhos sem saber exatamente para onde olhar ou a sua boca sem saber o que dizer para escapar da saia justa em que te coloquei. Que mico!
    Meu amor, ouso chamá-lo assim, não foi à primeira vista, mas estava destinado a acontecer.
    E começou como um bem estar, uma sensação gostosa e quente _ Meu Deus, como eu ficava vermelha!_ como quando numa noite muito fria encontramos uma fogueira para nos aquecer.
    Gostava de estar perto de você. Pela sua amizade, pela sua alegria, pelo seu sorriso constante e fácil. Procurava apenas estar ali, ao alcance de um sorriso furtivo ou de uma pergunta qualquer sobre matemática ou biologia. Mas infelizmente não eram muitas as suas dúvidas.
    Só lamento por ser tão boa em disfarçar o que sinto. Se não fosse, talvez as coisas tivessem sido diferentes. Já me chamaram de falsa, por essa facilidade que tenho, mas não se preocupe, apenas escondo, nunca finjo.
    Houve vezes, quando alguma coisa ruim acontecia, que eu fechava os olhos e pensava em você, em como seria bom te ver na segunda feira e pedia pressa ao tempo.
    Outras vezes, e não foram poucas, senti raiva. Você me enganava, me dava sinais errados, era carinhoso demais para alguém no meu estado.
    Assim, quando eu acreditava que iria acontecer, meu castelinho de areia desmoronava na brisa doce de um sorriso divertido seu: “Te peguei sua boba.” E eu sorria junto para disfarçar.
    Bobo! Como podia não notar o que sinto? Você é um bobo.
    O tempo foi passando e eu aprendi a conviver com esse amor. Como um cãozinho na corrente, eu passei a alimentá-lo apenas de vez em quando, esperando que, serenamente, ele adoecesse e viesse a morrer sem incomodar a ninguém. Ele fingia que aceitava, mas era só truque, fugia e me fazia passar o maior vexame.
    Por diversas vezes como foi difícil não te dizer tudo isso. Descobri que os apaixonados têm uma quase irresistível vontade de falar o que sentem. É algo físico, bem dolorido mesmo. Mas como vê, fui forte. Até agora.
    Se quiser me ver estarei, como quem não quer nada, na cafeteria que fica no final da rua do cursinho.
    Como disse, não seja maldoso, não venha se estiver com pena de mim, ou se estiver curioso apenas, ou se achar, como não é nada difícil, que é tudo mais uma brincadeirinha de minha parte. Saiba que não preciso ser consolada, também não venha se for por isso. Tô me achando forte e muito bem resolvida com essa minha produção independente.
    Também não venha se achar que não terá coragem.
    Afinal, dentre todas as numerosas possibilidades, você querer... bom, você sentir algo parecido por mim é apenas mais uma. Só uma. Isso é uma coisa que aceitei. Então não se force, se você não vier, quando nos encontrarmos de novo, serei a amiga de sempre, como sempre, para sempre.
    Então a verdade é que sei você não virá. Não estarei lhe esperando. É o que vou estar me dizendo, é isso que vou estar pensando enquanto aquela maldita porta que abre a cada cinco segundos me tira a concentração e a respiração.
    Estarei lá... sentada. Com aquela cara de quem tem um mundinho próprio trancado à chave que só quem está lendo consegue fazer. Não estarei triste. Só estarei lá, na cafeteria da esquina, no final da rua do cursinho, esticando ao máximo esse ultimo dia de aula.
    E se você quiser, nos termos que escrevi acima, pode vir. Será muito bem vindo e também haverá um café quente esperando você.

    Isabel.”

    _Nada de mais, pensou Dona Estela enquanto sentava na cama tentando acalmar o coração disparado. Aquele menino vai ver só uma coisa quando voltar.
    Onde já se viu me pregar um susto desses ?!?
    Marcos venceu o quilômetro e pouco que separava sua casa da cafeteria em pouco mais de cinco minutos.
    Quando chegou quase na porta, parou e pensou:
    _Eu não posso entrar lá desse jeito. Cansado, suado... como se estivesse desesperado. Não posso. Se encostou na parede e procurou descansar. Ainda faltava um pouco para a meia noite então ele tinha tempo até que a cafeteria fechasse
    Marcos olhou para dentro do Café disfarçadamente e viu que Isabel estava sentada perto do vidro lendo alguma coisa. Respirou fundo mais uma vez e entrou.
    Havia um sininho que tocava toda vez que a porta abria. Então Isabel, levantou os olhos e viu Marcos. Ficou imediatamente vermelha, mas não desviou o olhar. Guardou o livro na bolsa e, à distância, telegrafou um sorriso para Marcos, convidando-o a sentar.
    _Achei que você não vinha.
    _É... eu só achei sua carta a pouco tempo, quase agora.
    Houve um silêncio.
    _Surpreso?
    _Sim... Mas alegre... Que coincidência, não é ?!? Você... e eu... sentirmos a mesma coisa.
    _Você não está falando isso só para...
    O sininho da porta tocou de novo. Isabel quase não se dava ao trabalho de olhar quem entrara. Mas quando olhou, viu que uma pessoa vinha em direção á sua mesa. Marcos só a percebeu quando ela estava diante deles.
    _Nossa !!! Que bom! Encontrar meu melhor amigo e minha namorada aqui me esperando. Fiquei um pouco de tempo a mais no cursinho para acertar algumas coisas. Que bom que vocês me esperaram. Como sabiam?
    Isabel reuniu forças para responder:
    _Ah... Claro, Fernando! V...Você mesmo disse. Não lembra?!?
    Marcos não conseguiu responder nada.

    Obrigado a quem acompanhou este conto até aqui. estou tentando definir um estilo e esta é uma história que fiz neste teste. Se puderem opinar agradeceria muito.
    Abraços!


    Última edição por Vail em Dom Maio 02, 2010 10:45 am, editado 1 vez(es)
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    Isie Fernandes

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    Re: [Vail] Um caso de amor.

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Maio 02, 2010 9:30 am

    Vail, você deixou muitas coisas no ar... Por que Marcos teria pena de Isabel? Ela tem que ser consolada? Que produção independente é essa? Cara, posta logo a continuação! Não sou perita em contos - isso é com Leonardo e Tiago Lobo -, mas que a história me deixou com gostinho de quero mais, ah, deixou... Smile
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    Vail

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    Olá Isie!

    Mensagem por Vail em Dom Maio 02, 2010 10:42 am

    Olá Isie!
    Essa história deixou sim alguns pontos meio nebulosos. Essa era meio que a minha intenção. Acho que como Agatha Crisite, ás vezes eu sonego algumas informaçõezinhas do leitor.
    Quando Isabel pedia que não se sentisse pena dela, e que não precisava ser consolada, é porque nós homens (eu pelo menos) fico na maior dó quando uma garota fica a fim de mim e eu tô em outra. Se essa garota for uma amiga, pior ainda, aí sim eu fico numa situação hiper-dificil devido ao medo de magoar seus sentimentos. Acho que muita gente já passou por situações assim.
    Produção independente é o prórpio amor dela. Por achar que ela criara e levava esse amor sozinha sem, até aquele momento pelo menos, a participação do outro.
    Não sei se terá continuação, acho que histórias aparentemente inacabadas têm um charme especial.
    Mas é uma boa idéia.

    Abraços...
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    Isie Fernandes

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    Re: [Vail] Um caso de amor.

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Maio 02, 2010 11:39 am

    Hahaha! Putz, viajei... Confesso que em minhas mãos esse conto ia esticaaaaaar... Pensei muitas coisas, olhei como mulher. Não sei direito, mas a gente não pensa nessas coisas, se ele vai ter pena de mim, se vai querer me consolar. Mulher apaixonada quer mesmo ser consolada (rsrsrs), pensa até que pode mudar a situação, virar o jogo enquanto o cara se compadece.
    Eu daria pra ela um defeito físico - pensei que ela fosse cadeirante... (rsrsrs) Mas a virada foi boa, um namorado... Que descarada! lol!

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    Re: [Vail] Um caso de amor.

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