Literatura Fantástica



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    [Jreis] Saga do fim - origens

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    javert

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    [Jreis] Saga do fim - origens

    Mensagem por javert em Sex Jul 22, 2011 8:08 am

    ola pessoal, fa anos que não venho aqui. meu livro anterior por contar acontecimentos desconhecidos dos leitores, estava confuso. o Leitor ficava perdido, para não deixar massante a leitura deixei o livro em stand by, e posto aqui o começo do novo livro. Os acontecimentos acontecem em torno de dez anos antes do livro saga do fim. A proposito o nome do livro mudou(RSRSRSRS).
    Espero que gostem.

    1-Graduação

    Luzes surgiam no horizonte. A pouca claridade anunciava o inicio de um novo dia. Uma data tão esperada e temida por outros, marcada com um céu abstrato, idêntico a um quadro pintado em tons de roxo, laranja, cinza e amarelo. Um nascer de sol comum para um evento tão importante. Kurono levantou-se rapidamente da cama, colocando os pés sob o chão frio. Procurou em seu armário uma roupa para aquele dia especial. Comprimiu o corpo, o dormitório estava frio. Tremendo em frente ao pequeno armário, pouco maior que seu um metro e quarenta de altura. Deveria usar o uniforme de gala dos cadetes. Pegou o paletó que estava todo amassado, assim como toda e qualquer coisa que ele insistia em empurrar dentro daquele armário. A roupa, além de amassada estava encardida, mas isso não o preocupou, afinal, desleixo era uma de suas maiores virtudes.
    Ficou frente ao espelho enquanto tentava arrumar o cabelo, o menino era jovem, doze anos, corpo magro e esquio diferente dos outros alunos daquela academia, seus cabelos pretos e desarrumados, eram como sua digital, única e inconfundível. O único cadete da academia a ter cabelos de um humano comum. Era um convite aos outros garotos para persegui-lo, humilha-lo e agredi-lo. Terminou de arrumar-se, respirou fundo e olhou novamente para seu reflexo. – Você consegue. – Disse em tom pouco animador, como que tentando afirmar uma coisa da qual não acreditava. – Hoje irei mostrar a todos o herói que serei um dia!
    A cada passo em direção ao auditório central a ansiedade aumentava. Era a graduação de cadetes, e até aquele momento não despertara nenhuma habilidade especial, nada a não ser a facilidade para arrumar confusão e inimigos, não sabia o motivo, mas era como se a cada confusão que arrumasse, um tutor surgia e colocava fim, sempre levando Kurono para longe de conflitos, como se houvesse um tutor escondido em cada canto esperando para tira-lo de alguma confusão, e isso deixava os outros cadetes cada vez mais furiosos com ele. Conforme avançava pelos corredores da academia de Templaria mais cadetes seguiam para a mesma direção, a maioria andando em grupos de amigos, sempre animados, falantes e sorrindo, enquanto ele caminhava sozinho pelo fato de não ter alguém para chamar de amigo. Distraiu-se como sempre e colocaram o pé no seu caminho, tropeçou e caiu de cara no chão. Gargalhadas ecoaram pelo corredor, todas o ridicularizando. Palavras para desencoraja-lo, ou a simples verdade de que ele não possuía habilidade ou dom para ser um soldado. Ignorou, ficou de pé e continuou, tinha fé que depois de hoje, toda essa indiferença com ele iria mudar.
    As vozes aumentavam cada vez mais e sua ansiedade também, e quando percebeu estava na porta do auditório central, viu inúmeros tutores, e todas as turmas de cadetes estavam ali, apressou-se para pegar um bom lugar, afinal a única coisa que lhe interessaria ali seria poder ver a Dio de perto. O auditório central era imenso, acomodava dezenas de centenas de cadetes, as fileiras eram divididas por turma, cada turma com aproximadamente trinta cadetes, em geral Templaria era uma cidade monumental, construída em vidro, aço e painéis luminosos. Procurou por um assento, ao seu lado estava uma linda garota de cabelos vermelhos abaixo do ombro, e penetrantes olhos azuis. Era Dio, uma das cadetes mais promissoras que ali estava. Seu coração acelerou, estava do lado dela, era difícil uma aproximação assim, respirou fundo e olhou para o centro onde havia uma espécie de palco de apresentação.
    – Bom dia cadetes! – A voz era imponente e firme. Victor Astarhys, descendente do primeiro Feur-Zaule. Os Zaules são a autoridade máxima nas academias e sua influencia se estende por todo continente. Reconhecido como os soldados mais poderosos de suas academias, um titulo que poucos conseguem, e fardo que apenas alguns conseguem suportar. Ao contrario da postura que seu titulo exigia, Victor era atencioso e respeitava muito as pessoas, era raro ter que impor sua autoridade, todos o adoravam. O Zaule era um ídolo, bondade, carisma e um afiado senso de justiça, assim como a academia era um sinônimo de Templaria.
    – Bom dia. – Todos responderam como um coral afinado e animado.
    – Como sabem hoje terá inicio a primeira etapa de graduação de soldado, e hoje temos a presença de dois Soldados que muitos aqui admiram Siedge e Sisifus. – A plateia ficou alvoroçada, ainda mais quando eles ficaram próximo ao Zaule.
    Siedge Ershlanz, seus cabelos longos e cinzentos, um jovem forte no auge de seus dezoitos anos, havia rumores que poderia ser mais poderoso que o próprio Feur-Zaule, aos doze anos conseguindo o titulo de soldado de primeira linha, um feito histórico, digno de um descendente de uma das famílias mais poderosas de Templaria. Sisifus, também era jovem e com a mesma idade, também era uma lenda entre os cadetes, seus cabelos azuis faziam o maior sucesso entre as meninas. Ambos tinham aproximadamente a mesma idade, e os mais importantes de sua geração.
    Pensou estar sonhando, estava vendo seu ídolo de perto, desde pequeno tentava seguir os passos de Siedge, para Kurono ser um soldado de primeira linha seria a oportunidade de poder lutar ao lado de seu herói. Com tanta distração só voltou ao mundo real quando o primeiro cadete foi chamado. Dio levantou-se e com um sorriso arrogante caminhou até o centro do palco. Alem do Zaule e dos ícones dos cadetes, havia vários tutores entre eles o tutor Ukari, o tutor da turma de Dio e Kurono.
    – Dio, Hoje você iniciará sua jornada até ser reconhecida como um soldado, e para isso Templaria concede a você a responsabilidade de empunhar e brandir sua arma. – A cerimonia é padrão, por mais orgulhoso que Ukari estivesse não poderia mudar o discurso e entregou cristal fino e lascado, pouco maior que a palma de sua mão e entregou a sua cadete.
    – Eu aceito e prometo honrar este voto de confiança que Templaria concede para min. – Segurou a pequena lamina e esperou pelo resto da cerimonia.
    – Liberte sua mente, deixe a dizer qual o seu proposito. – Observou, sua aluna, os testes anteriores aconteceram sem problemas nenhum, e se recordou de seu aluno mais problemático e sem talento, e sentiu um frio na barriga e escapou o olhar para Kurono.
    A cadete concentrou-se e em instante o cristal em sua mão brilhou, apesar da luz emitida não ser muito forte, era uma visão única, o cristal expandido e afinando, transmutando e adaptando, e em poucos segundos Dio estava empunhado uma Katana, sua lamina cristalina era negra, adornada com o que parecia ser rubis. Todos aplaudiram e ela se retirou, seguindo para outra fileira, longe de seu fã numero um.
    – Kurono... Kurono... – A voz estava distante e o sono estava gostoso, não fez questão nenhuma de querer acordar. –... Seu tranqueira acorda! – Sentiu o ombro arder, era impossível não acordar com um soco no ombro.
    – Ahnn, quem é? – Levantou no susto procurando a pessoa e com o seu berro chamou a atenção de todos, principalmente de Siedge. – Pronto, ele deve estar pensando que sou um idiota. – Pensou. Estava a sentar quando ouviu seu nome novamente.
    – Kurono. – Disse Ukari em tom serio, já estava acostumado com essas palhaçadas. – É a sua vez, poderia vir até aqui?
    Ficou vermelho e sem graça, sentiu sua mão suar e desceu até o palco com as pernas tremendo, pois no seu ultimo teste não teve um bom resultado. Finalmente estava ali, frente a frente com seu tutor novamente, seus sentidos foram a nocaute, seu coração disparou, não conseguia ouvir uma só palavra. Quero uma espada de lamina leve, fina e alongada, pode ser uma Katana igual a da Dio, seria o máximo ter uma espada como a dela, estava pensando nisso quando percebeu que segurava a pequena lamina de cristal há alguns minutos e nada tinha acontecido acontecia, olhava para os lados e percebia o olhar de desaprovação de muitas pessoas ali, seus sentidos voltaram e a única coisa que ouvia era a gargalhada dos outros cadetes, não resistiu, era demais, havia prometido a si mesmo de que aquilo não se repetiria, tentou ser Forte, pedia por um brilho, uma faísca, qualquer coisa como um sinal de que liberaria a sua arma, não conseguiu conter as lagrimas que corriam discretamente pelo seu rosto. Tentou se concentrar e provar a todos que não era um perdedor, mas o cristal não esboçou nenhuma reação, olhou para Siedge, que não demonstrava nenhuma expressão, olhou para Ukari e entregou a peça.
    – Desculpa, não é a minha culpa. – Deu as costas e seguiu rumo a porta de saída, no caminho era impossível não ouvir brincadeiras e ridicularizações, mas infelizmente já estava acostumado com isso.
    Chegou ao seu andar. – Todos devem ter razão. Sou uma piada, meu dormitório é do lado do zelador, nem no andar dos cadetes eu fico. Agora serei conhecido como a piada de Templaria. – Abriu a porta com raiva, olhou para seu cubículo, sentiu-se inferiorizado, deitou e chorou até cair no sono.
    Aquela manhã passou rápido, e sono foi curto. Após horário do almoço estava acordado, porém deitado e aos lamentos. Ouviu alguém abrir a porta, mas nem fez questão de olhar quem era. Sua vontade era sumir, desaparecer dentro daquele dormitório.
    – Kurono, podemos conversar? – Ukari ficou próximo à cama, seu tom de voz era tranquilo e calmo, como sua personalidade. Era um dos tutores mais legais que os cadetes tinham, todos gostavam dele, mas nem por isso era respeitado por todos. Possuía curtos cabelos verdes esmeralda, estatura mediana e porte físico atlético, não era um soldado de primeira linha, mas estava confortável com a insígnia de soldado de segunda linha.
    Percebeu que seu aluno não queria conversa e tentou mais uma vez.
    – Sabia que na minha primeira graduação também não consegui liberar minha arma? – Sentou no chão apoiando as costas na cama. Era difícil comentar isso com alguém, mas achou que a situação era adequada.
    Ficou curioso, não sabia que seu tutor também havia passado por aquilo, talvez entendesse seu sofrimento, ou talvez estivesse mentindo, coisa de adulto para resolver a situação, mesmo assim queria ouvir mais.
    – Como você sabe, a espada é uma extensão do seu corpo, de sua mente e espirito, ambos compartilham a mesma força e propósito, e é por isso que você falhou hoje. – sabia que essas palavras iriam doer, não havia outras a ser dita, a verdade, por mais que doa é aquilo que precisamos ouvir.
    – Como posso ter falhado? Eu me concentrei, pensei no meu proposito desde o momento em que acordei. – Não entendia realmente como poderia ter falhado, queria ser um herói, acreditava indubitavelmente que este era o seu propósito.
    – A razão disso é a desarmonia entre o seu propósito. Propósito não é algo que você determina por si mesmo. Alguns propósitos são momentâneos, e outros são pela vida toda. Você consegue entender esta diferença ? – Seria difícil explicar uma linha de raciocínio tão complexa naquele momento, mas era preciso tentar.
    – Não entendo isso muito bem. – Não entender o que Ukari tentava dizer era frustrante, sentia-se cada vez pior.
    – Vou simplificar, quando você estuda para uma prova qual o seu proposito? – Perguntou na expectativa de fazer Kurono entender melhor.
    Pensou um pouco antes de responder e decidiu chutar a resposta.
    – Ir bem na prova? – Respondeu com um tom de incerteza, mas não achou outra resposta apropriada.
    – Correto! assim que você atinge o seu objetivo o propósito ganha sentido, com isso ele dá lugar a outro proposito. Entendeu? – O cada sinal indicando que seu aluno estava melhorando o humor, o deixava aliviado.
    – Mais ou menos, entendi isso, só não entendo por que meu proposito é não ser herói.
    – Pode ser que, ser um herói não é o propósito de sua arma . Talvez ela deseje ser brandida por outro motivo. É realmente difícil entrar em um assunto tão complexo, mas tenho certeza de que em breve você encontrará o seu verdadeiro proposito.
    – E como você conseguiu sua arma tutor? – Queria entender comparando propósitos, talvez isso o ajudasse.
    – Meus pais morreram em um ataque a Templaria há doze anos, na época você nem era nascido, eu queria ficar forte e destruir qualquer inimigo para que isso não acontecesse com mais, não queria que ninguém passasse pela dor que passei. Acreditei que esse era meu proposito, mas estava errado. Minha arma não reconheceu meu propósito.
    – E o que fez para ela te reconhecer? – Pensou no que seu tutor acabara de dizer. Não sabia que Ukari também era um órfão como ele e que passou por isso também, naquele momento passou a respeitar mais seu tutor, a vê-lo com outros olhos, como um amigo.
    – Percebi que meu proposito não era destruir os inimigos, ou evitar a dor alheia, consegui enxergar que dentre esses pensamentos o que mais se destacava era que eu queria proteger Templaria, proteger meus amigos, esse era o proposito que minha arma compartilhava comigo, esse é o proposito da maioria das armas aqui. Proteger algo.
    Kurono ficou pensando nisso, talvez fosse seu proposito também, pois proteger era o dever de um herói. Tinha certeza de que agora conseguiria liberar sua espada. Nunca havia pensado por este ponto de vista, o que um herói faz está além da gloria e da fama, está em sua conduta.
    – Mesmo você não tendo liberado sua espada hoje, ainda terá de continuar com as etapas da graduação e no final terá uma segunda chance de liberar sua espada, tudo bem? – Ukari estava chateado com a situação, era provável que insistir na graduação pudesse machucar seu aluno ainda mais.
    – Alguém já ficou sem liberar a espada? – Pensava em ouvir palavras amigas e reconfortantes, mas não foi o caso.
    – Ainda não aconteceu, mas quando acontecer, essa pessoa não poderá ser um soldado de Templaria. – Pensou que com isso poderia fazê-lo mudar de ideia, em adiar a graduação para o ano seguinte, mas ambos ficaram sem ouvir o que queria.
    – Então não será eu o primeiro! – O menino sorriu com uma autoconfiança incrível, seu tutor ficou pasmo, não imaginou esta reação tão repentina, e por um momento acreditou nessas palavras.
    – Então vamos você precisa treinar um pouco mais. – Em pé Ukari estendeu a mão ao cadete.


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    javert

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    Re: [Jreis] Saga do fim - origens

    Mensagem por javert em Sex Jul 22, 2011 8:09 am




    2-Intruso


    O complexo de treinamento era enorme, dividido em três categorias, havia a arena que ficava na construção principal da academia, os setores de treinamento dos cadetes que ficava as margens dos muros da cidade e o setor de treinamento para os soldados que ficavam no subsolo de Templaria.
    O jovem cadete estava no elevador, acompanhado por seu tutor, estava entusiasmado, era a primeira vez que iria para o setor de treinamento dos soldados. A cada passo em direção ao seu destino, fazia sua expectativa aumentar, os corredores eram altas e largas e bem iluminadas. No chão, inúmeras setas luminosas indicavam as mais variadas direções. Kurono ficou confuso ao ver todas aquelas luzes, pois não entendia o padrão muito menos fazia ideia de onde elas poderiam levar. A frente em uma bifurcação do corredor estava o restante da sua turma, era notório os cochichos, muito provavelmente pejorativos. Junto com os cadetes estava outro tutor. Ubi era mais alto e mais esguio comparado a Ukari. Por trás de seus óculos estavam seus penetrantes olhos cinzentos, que contrastavam com seus curtos e arrepiados cabelos dourados. Em uma visão geral da turma, parecia um arco íris de cabelos coloridos, mas o que mais chamava a atenção era o cabelo negro de Kurono.
    Era sabido que todos os soldados eram superiores aos humanos comuns, e que somente pessoas comuns possuíam cabelos negros, nunca teve uma explicação que calasse a todos, embora ninguém contestasse sua verdade, exceto Kurono, que por mais que fosse visível sua inabilidade e incapacidade de manipular o Plera, acreditava que era apenas uma questão de tempo.
    Devido aos cabelos negros, todos os cadetes e a maioria dos soldados zombavam dele, afinal o que um humano comum fazia na academia de elite de Templaria, que fosse ingressar na academia de guarda civil. Não entender o motivo por ele estar na academia gerava indiferença entre a maioria das pessoas, por mais que alguém questionasse ninguém tinha a coragem ou arrogância de perguntar diretamente ao Feur-Zaule e nem mesmo aos regentes das Hauss.
    Não perdeu tempo, tratou logo de ficar próximo a sua paixonite. Dio estava com o ar de superior como sempre, ser uma das melhores da turma, deixava seu ego lá em cima. Ubi despediu-se de Ukari e desejou boa sorte. A turma de cadetes andava em silencio e em três filas, Kurono ficou no final da fila, observando Dio sempre que pudesse.
    – Você não esta com medo? – Sussurrou um menino magro que andava no final da fila paralela a Kurono.
    Ficou sem graça, afinal mesmo quando conversava com alguém não conseguia prolongar ou criar laços de amizades, imaginou que poderia ser apenas mais um brincando com a sua cara.
    – Não estou não. – Falou em tom convicto e preparado para ouvir as zoações.
    – Estou um pouco com medo, aqui é onde os soldados treinam, não sei o que vamos treinar. – Leub não era um garoto que andasse em turma, mesmo assim sempre evitou Kurono para não sofrer retaliação dos garotos mais velhos.
    – Talvez vamos aprender algum matra novo eu acho. – Pensou em como seria legal aprender um matra superpoderoso.
    – Como pode usar um matra novo se nem sabe usar os básicos? – Não fez a pergunta por mal, mas ficou curioso pelo fato de alguém como Kurono ter chegado tão longe.
    – É que os básicos são muitos básicos, eu só sei usar os poderosos! – A enrolação foi tão sincera que ele mesmo acreditava nos absurdos que dizia.
    – Mas nunca vi você usar um matra poderoso antes? Por incrível que pareça Leub, era um garoto ingênuo.
    – E que eu não aprendi ainda, mas quando aprender você vai ver! – Todos vocês vão ver, pensou Kurono.
    – Que legal . – Não desacreditando, continuou. – Ei Gebara sabia que o Kurono só consegue fazer os matras mais poderosos?
    Gebara também vinha como ultimo de sua fileira, era o único amigo de Leub, usava uma bandana preto que deixava escapar alguns tufos cabelo loiro.
    – E como ele consegue usar se não sabe usar os básicos. – As afirmações ingênuas de Leub eram como um carma para gebara, que por causa disso já havia entrado em situações inusitadas.
    – É que ele ainda não aprendeu. – Retrucou
    – O que?. – Antes que pudesse responder foi interrompido.
    – Quieto seus idiotas, não quero ser penalizado por vocês três, bando de perdedores. – Disse Dio encabeçando a sua fileira, a mesma de Kurono.
    Antes que os comentários e reclamações piorassem, Ukari interveio e todos fizeram silencio.
    Gebara observou Kurono enquanto caminhavam em direção ao portão sete, era obvio que só é possível usar um matra quando aprender queria saber como alguém que não sabe usar um matra simples poderia usar técnicas mais complexas que envolviam quantidades significativas de plera. – Esse cara, o ultimo da turma, mesmo assim acredita que vai conseguir se tornar um soldado, queria eu ter essa confiança toda. – Pensou ele.
    Perdedor? Será que é assim que ela me vê? Acho que para fazê-la me olhar diferente somente quando eu mostrar que posso liberar minha espada. – Estava pensando sobre o que Dio havia dito sobre eles, queria poder impressiona-la neste dia, queria mesmo isso.
    Estavam diante do portão do campo sete, todos ansiosos e curiosos e alguns com aquele típico frio na barriga.
    – Vamos entrar em fila e seguir até o portão leste que dará acesso ao campo seis. – Impôs o tutor. Todos confirmaram com a cabeça e seguiram campo sete adentro.
    Campo sete simulava um terreno arenoso e desértico. Os cadetes estavam curiosos, pois dos campos, só ouviam estórias aumentadas e inventadas. Do que ouviram ficaram em sua maioria decepcionados, apenas um longo percurso desértico a ser percorrido.
    cansados e famintos. O sol estava fritando os cérebros, e havia areia e dunas a perder de vista, a sensação de andar em círculos era mutua. – Ubi, seu cretino, deve ter usado um matra para confundir nossos sentidos, deixa você, vai me pagar por me fazer andar em círculos nesse deserto. – Ukari queria pensar que era apenas Ubi pregando uma peça, para ensinar aos alunos alguma lição, mas não poderia alertar a turma se não tivesse certeza, deveria seguir o protocolo e agir com cautela.
    – Aqui está ótimo, vamos iniciar o treinamento! – Com vocês entretidos eu consigo pensar melhor, pensou Ukari, tentado sentir-se melhor. – Mantenham distancia de três metros um do outro, formação padrão de cinco por seis. – Queria ter todos á vista, sem exceção.
    Os alunos começaram a liberar suas armas, lanças, machados, espadas curtas e até arco. –flecha, mas somente Kurono estava com uma espada de madeira. Os alunos estavam perdidos, afinal até ali tinham apenas visto treinamento de kendo, e agora teriam o treinamento específico para o seu tipo de arma. Muitos ficaram mais admirando as armas dos companheiros do que tentar empunhar sua própria. Dentre eles Kurono.
    – Ei Leub posso ver sua arma? Perguntou ansioso.
    – Pode sim. – Sua espada, assim como a maioria possuía uma lamina cristalina azulada, e pouco transparente. Ao ser transferida a espada reduziu o seu tamanho novamente, voltando apenas ao seu formato de empunhadura.
    – Nossa que legal. – Ficou observando os detalhes do cabo, havia esquecido que só o dono da espada era capaz de utiliza-la. – Que inveja sua Leub, quero que minha espada seja tão legal quanto a sua. – Mesmo sendo um sentimento de inveja, não era nada preocupante, apenas sentia-se chateado por ainda não ter a sua, mas acreditava que era questão de tempo e que a sua seria a espada mais legal de todas.
    – Tutor. – Disse Dio dirigindo a palavra a Ukari.
    – Sim? – Respondeu intrigado.
    – Desde que passamos pelo portão tive uma sensação estranha. – Olhou para Ukari pressionando uma resposta.
    – Então você também percebeu? Realmente você é bem talentosa Dio. – Era preocupante saber que um cadete havia percebido ainda bem que era a Dio, sabia que ela não iria entrar em pânico. – Estamos sob o efeito de um matra que altera os sentidos. – Completou
    – Suspeitei quando percebi que estávamos andando em círculos. – Ficou contente em saber que realmente estava certa.
    – Vou precisar de sua ajuda, preciso fique entre a gente, não quero que ninguém entre em pânico. – Pedir ajuda para Dio era uma coisa sensata a fazer, assim poderia analisar a situação com mais calma sabendo que seus alunos ficariam bem.
    Aparentemente tudo estava tranquilo, os alunos forçosamente treinavam com suas armas, Ukari passava noções bem simplistas de manuseio, enquanto tentava localizar algum sinal de Ubi juntamente com Dio. Kurono treinava desanimadamente com sua espada de madeira.
    – Ukari! – Chamou Dio. O tutor caminhou próximo a ela, e como sempre falando bem baixo para que ninguém ouvisse ou percebesse.
    – Encontrou alguma coisa? – Estava aflito, fazia mais de três horas que estavam perdidos.
    – Não tenho certeza, mas acredito que o efeito tenha passado. – Apontou para o sudeste, era possível ver ao longe um pequeno oásis. – Será que é o portão do campo seis?
    – Provavelmente é sim, vou chamar os cadetes e vamos com cautela. – Chamou os jovens que voltaram a caminhar animadamente. Porem havia um garoto de cabelo preto revoltado que ainda queria impressionar alguém, e isso o incomodava muito. Quase uma hora de caminhada levou finalmente a um oásis. Seu tamanho impressionava, quanto mais adentravam, aumentava a impressão de estar entrando em uma densa floresta. Uma coisa simples chamou a atenção, o chão diferente de antes era feito de aço. Os cadetes não perceberam nada de errado, mas Ukari tinha certeza, a configuração do campo sete estava com algum problema, talvez não fosse Ubi pregando uma peça seria provável que fosse apenas uma falha de sistema. Os jovens facilmente se dispersaram, uns foram tomar agua, outros comer fruta. O tutor teve um pressentimento estranho e tratou de agrupar o restante da turma. Dio o acompanhava de perto quando perceberam que apenas um aluno estava faltando.
    Kurono estava procurando Dio, pensou em ter visto próximo a uma arvore. Decidido, foi em sua direção, iria puxar assunto! Mas quando percebeu, ela não estava mais lá. Tentou retornar e passou entre algumas arvores, poderia jurar que segundos atrás elas não estavam lá. Como era comum confundir-se e não prestar atenção achou completamente normal. Tentando voltar por aonde veio, sem êxito encontrou uma imensa porta de metal.
    – Deve ser a entrada do campo seis. Vou entrar antes de todos e ficar esperando, assim que eles entrarem eu finjo que estou dormindo. – Pensou o garoto. Procurou pelo painel de controle e o encontrou ao lado do imenso portal. Após o barulho das trancas se movendo, as enormes placas afastavam-se uma da outra. O jovem estava parado frente ao portão e como o lado de dentro estava muito escuro era difícil visualizar o seu interior..
    ...Ono... sa ...Por um momento escutou um som estranho vindo das arvores as suas costas, olhou para trás e viu Ukari correndo em sua Direção, era difícil enxergar direito, era como se fosse um fantasma. Ouviu novamente... Ono... dado... tra... cê... tentou entender mas a voz estava distante e cortada. Observou por segundos, a imagem de Ukari parou e foi perceptível ver o pavor em seus olhos, o tutor voltou a correr mais rápido e o cadete teve a certeza de ouvir.
    – Cuidado, atrás de você! – Nunca tinha ouvido aquela voz antes, virou-se atonitamente e viu que atrás do portão estava enrolada uma enorme criatura entre dois pilares. Sentiu seu corpo queimar e perdeu as forças, não conseguia gritar, correr e até respirar estava difícil, a sensação térmica aumentou e sentiu um buraco no estomago. O pavor da morte já havia tomado conta dele. Tentou arduamente recuar, não conseguiu. Estava sem controle sobre suas pernas, perdeu a força em uma delas e caiu de bunda no chão.
    A criatura desembolou em segundos, Urrou ferozmente, suas pernas já não tremiam mais. Uma das patas da criatura, que mais parecia uma lança gigantesca e afiada avançou contra o garoto, o único reflexo que conseguiu com toda a sua coragem , foi simplesmente fechar os olhos e entregar-se a morte iminente. O sangue quente jorrou pelo chão metálico enquanto alguns cadetes observam tremendo de medo.
    - Oh meu Deus... Kuronoo...KURONOO...KURONOOOOO! – Gritos desesperados misturavam com o grito ensurdecedor da criatura.
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      Data/hora atual: Dom Dez 17, 2017 6:49 am