Literatura Fantástica



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    [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

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    f-card-deal

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    [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

    Mensagem por f-card-deal em Dom Mar 07, 2010 6:41 pm


    Caminho entre Luz e Trevas (CeL&T, como eu gosto de chamar) é meu primeiro livro "sério". Depois de alguns textos escritos, esse é o primeiro que eu realmente quero terminar. No começo eu não estava querendo publicar, mas minha mãe tanto me importunou que eu acabei por decidir faze-lo (Ou tentar. As editoras podem simplesmente recusar ele, hehehe. Mas é para isso que servem sites como "Clube dos Autores"). O texto ainda está em desenvolvimento, e estou disposto a reescrever tudo de novo assim que terminar, melhorando cada ponto em que eu puder (Se vocês ainda não perceberam, tenho mania perfeccionista). Estou sem ideias para prosseguir no momento, mas a inspiração está para me explodir.

    Abaixo está o capitulo 1, e no final do topico um link para download dele e mais dois, em PDF, para o caso de vocês se interessarem. Este é o terceiro local onde eu disponibilizo o material, esperando algumas criticas. Provavélmente será o ultimo. Por favor, comentem!

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    Capitulo I
    Fragmentos de uma vida
    — Ei, espere! — Reagi imediatamente à voz conhecida, olhei por trás do ombro, e vi Matheus me seguindo apressado, os sons dos passos de sua corrida ecoando na noite silenciosa. Voltei a olhar para frente, mas diminuí o passo para que ele pudesse me alcançar mais rapidamente. Estava frio, mais frio que na noite anterior. Parecia que o efeito estufa tinha cessado, porque mesmo depois do começo do verão nada parecia estar ficando mais quente, pelo contrario. Não tive muito tempo de prosseguir com meus pensamentos. Percebi as passadas atrás de mim se tornarem uma caminhada e logo meu amigo estava quase ao meu lado.
    — Porque a pressa em fugir? — a pergunta saiu com tom de ironia. Eu ri brevemente. Ele tinha razão, eu saí da festa menos de cinco minutos depois do discurso acabar — Você é bom nisso, sabia? Sair sem ninguém perceber.
    — A festa estava agitada. Além disso, eu não tinha mais nada para fazer lá — Após terminar a resposta, vi em um segundo a sua cara azeda de "Mas eu tinha" olhando para mim. Segurei a risada e falei — Você não precisa sair da festa só porque eu o fiz. Está me seguindo porque quer.
    Ele se normalizou e deu um breve riso — Estava preocupado com você, cara — Ele fez uma avaliação fantasiada — Mas parece que não há problema. Você sempre foi estranho, mesmo. Até mais. — Ele disse isso, se virou e voltou correndo para o local da formatura. Ele deve ter conhecido alguma mulher, eu imaginava. Ri mais uma vez, de forma muda.
    O lugar estava muito silencioso, comparado com o barulho da multidão de formandos, pais, tias, tios, irmãos, etc... Apenas se ouvia agora um ou dois carros passando, gotas de água caindo no chão e talvez três ou quatro pessoas conversando. A rua larga que se estendia entre a faculdade e a minha casa estava muito limpa, por enquanto. Quando o furacão de gente passasse aqui, todo o trabalho dos funcionários públicos e das pessoas que varriam a frente de seus lares se perderia, se eu conhecia bem meus colegas de faculdade. Calei meus pensamentos, estava um pouco cansado, e precisava me apressar. Aumentei um pouco a velocidade para ser mais próxima de uma caminhada. Passei por algumas ruas e avenidas antes de dobrar a esquerda para chegar onde eu morava. Quando abri o portão, vi através da porta de vidro minha irmã sentada no sofá assistindo TV. Ela se virou para mim quando abri a porta que separava a sala de estar com o jardim.
    — Voltou cedo — Ela falou. Sua face era anormalmente sorridente. Pensei no fato dela nunca ter tido uma única espinha no rosto, pelo menos até os seus atuais 16 anos. Olhei para ela com uma cara de "Sabe como é". Melissa pulou e me abraçou. Não era muito comum, então nem tive chance de abraçar de volta, por causa da surpresa. Ela me disse em um sussurro "parabéns, de novo", me soltou e voltou para o local onde estava há uns segundos atrás. Sentei ao seu lado, meio deitado, com as pernas estiradas para frente. Ela estava assistindo a um programa para adolescentes. Ela nunca gostou muito, mas sempre assistia, já que era isso ou o telejornal (Eu nunca entendia porque ela odiava quando um deles começava). Ela encostou a cabeça em meu ombro, e um pouco de castanho coçou as bochechas de meu rosto. Era estranho como ela estava sendo carinhosa comigo hoje, irritada e revoltada como ela é. Então me lembrei que eu ia me mudar dali a algumas semanas para outra cidade. Inclinei-me e coloquei a minha cabeça de forma suave no topo da dela. Nossos cabelos, ambos longos, ficaram um misturado de castanho-escuro com preto. Olhei o par de olhos verdes e claros de minha irmã com os meus, da mesma cor. Ela não estava usando as lentes de contato, percebi, elas eram mais escuras e não eram nem de perto tão bonitas como o original. Um momento depois, viramos nossos rostos de volta para a tela da TV, sem realmente prestar muita atenção no programa.
    Minha mãe chegou 30 ou 40 minutos depois, e fez um tipo de "gemido", que quase toda mulher faz quando vê algo bonitinho (Melissa fala "Bah!"), no momento em que viu a minha irmãzinha dormindo em meu ombro, segurando o meu braço. Ela demorou uns segundos para se recuperar.
    — Você voltou cedo — Falou ela, repetindo as palavras de Melissa. É claro que todos esperavam por mim no mínimo à meia-noite. A festa de formatura havia começado 21:00 e em menos de uma hora eu já estava em casa — Eu só vim para ver Melissa, e ia para a festa, mas... — Ela se interrompeu. Depois voltou a olhar minha irmã adormecida com olhos carinhosos.
    — Não havia nada para fazer lá — Respondi. Enquanto isso, minha mãe ocupava um lugar do outro lado da dorminhoca, e passava a mão em sua cabeça. Melissa se mexeu um pouco, mas não acordou.
    — Leonard, você não acha que deve adiar um pouco essa sua viagem? — Ela perguntou, séria. Retribui o olhar. Os olhos dela também eram verdes, mas eram muito mais claros que os nossos. Vendo o jeito que eu olhava, ela obteve a resposta. Virou o rosto para o chão, suspirou e depois sorriu, olhando de volta para mim. — Vamos sentir saudade.
    Acordei pensando na minha ida. Eu iria assim que meu pai, Roger, voltasse de sua viagem, para não deixar minha mãe e irmã sozinhas. Decidi com ele que eu gerenciaria uma filial da sua empresa, em outra cidade. Sempre fui muito interessado nos negócios "da família" (meu pai foi o primeiro da nossa que trabalhou em algo assim). Nunca precisei estudar fora porque ele me ensinava tudo de que eu necessitava. Apesar de ser dono de umas das maiores companhias do país, o velho sempre arranjava um jeito de "escapar" mais cedo do trabalho. Mesmo assim isso (incrivelmente) nunca prejudicou a empresa.
    Levantei-me da cama lentamente. Ainda não ia sair dali, fui até a minha mochila a alguns metros, encostada em uma parede, e peguei o livro que eu queria. Voltei para a cama, me deitei. Enquanto abria o livro, olhei a hora no relógio que eu havia esquecido de tirar do pulso antes de dormir. Eram cinco horas da manhã. Confirmei isso vendo a luz fraca do sol matutino entrar, discretamente, no meu quarto, pela janela, e o tom azul-escuro do dia lá fora representava melhor ainda o horário, preenchendo de cor minhas paredes brancas. O livro era sobre historias mitológicas. Interessei-me muito pelas historias das "damas das sombras", eu já havia lido está parte do livro três vezes e ainda assim não me cansava. Vi novamente o começo.
    "A lenda mais conhecida do leste do mundo é a das Damas Sombrias. Foi dito que o poder dos sonhos e dos pesadelos dos homens e mulheres conseguiu trazer duas deusas de poderes opostos. Uma delas trazia boa sorte e felicidade, e aparecia apenas para os justos, por isso foi chamada de Dama Branca e às vezes de Luz, por causa da claridade de suas aparições. A outra era um ser sombrio que mergulhava a todos em sofrimento eterno. Aparecia para todos, para os bons e para os maus, e levava aqueles que aceitassem sua presença. Centenas ficaram desaparecidos. Por causa do mistério de sua existência, e do paradeiro desconhecido dos que ela via, essa criatura mística ficou conhecida como Dama Escura, às vezes a Escuridão ou as Trevas".
    O resto desta parte contava um total de dez historias de pessoas que desapareceram ou que foram abençoadas pelas deusas (cinco para cada uma). Eu pude ler todas elas e ainda sobrou tempo antes de ouvir batidas na porta. Já deveria ter passado uma hora desde que eu havia começado de ler. Era minha irmã, me chamando para o café da manhã, morrendo de sono.
    Melissa teve que ir para a escola e minha mãe tinha que trabalhar. Ela era advogada, a mais ocupada do país, eu presumia. Sorri com a idéia. Ela saiu às pressas e esqueceu que o portão estava trancado, e teve que voltar para pegar a chave, e isso só me fez rir um pouco. Ela me perguntou o que era, mas só respondi "Nada". Eu não quis ficar sozinho, então fui até a academia em que Matheus trabalhava. Ele era professor de educação física também, mas no momento a escola em que ele ensinava estava fechada por causa das férias (que terminavam mais tarde que a da minha irmã). Ele realmente estava parecendo um professor, com aqueles cabelos louros curtos e penteados cordialmente, e aquela barba e bigode curtos que pelo menos um mestre em cada escola tem. Ele era mais baixo que eu uns poucos centímetros, mas era mais forte uns músculos. Assim que cheguei lá, ele me viu e foi até onde eu estava.
    — E então, não vai passar o dia estudando hoje? — Ele perguntou com ironia.
    — Acho que não. Não preciso mais, afinal — Respondi.
    Nós conversamos enquanto andávamos pelo local. Ele zombou de mim porque eu ainda morava com meus pais. Eu comparei isso com o fato de que ele sustentava a mãe.
    — É diferente — Ele falou com voz de brincadeira. Matheus só tratava do caso da mãe dele brincando quando falava comigo — Eu me mudei para um apartamento próximo a casa dela, e como você acabou de falar, eu a sustento, e não SOU sustentado, como um vagabundo que eu conheço.
    — Pois o vagabundo de quem você fala vai ser gerente de empresa, sabia? — Falei, na maior descontração. — O que você tem a dizer sobre isso?
    — Posso dizer que vou sentir saudade — Ele falou, meio triste. Todo mundo estava muito sentimental nos últimos dias. Estavam quase me irritando com isso. Depois ele voltou para o tom descontraído normal — Mas é apenas uma filial, ou seja, nem vale.
    — Vamos ver isso depois. Como vai o seu mestrado? — Matheus, ao contrario de mim, se fixou em uma coisa só. Ele está fazendo um mestrado de educação física em uma universidade próxima.
    — Bem, não é o que eu esperava. — Ele respondeu um pouco frustrado.
    — É o que dá ficar morando por estes lados. Existem lugares com educação melhor.
    — Não posso abandonar minha mãe, cara.
    — Eu nunca disse isso. Você poderia se mudar com sua família.
    — Sua mãe é a melhor amiga da minha — Ele falou com um sorriso torto — E eu duvido que Jonan vai...
    — Ah, claro, tem isso também. — Jonan é o irmão mais novo de Matheus, com 17 anos. Ele está tendo um caso um pouco sério demais com minha irmã. Ela já chegou a me confessar que pretendia se casar.
    — Isso torna nossas famílias quase uma só, não é? — Eu diria para ele que ela é uma só, mas isso soaria mais como um pedido de casamento. Na verdade eu sempre considerei Matheus meu irmão. Somos amigos desde a adolescência. Nos conhecemos fazem treze anos. Eu tinha 14 e ele 15. Eu me mudei para a mesma rua que ele. Nove anos depois, o pai dele morreu em um acidente, e ele foi forçado a deixar seus planos de ir estudar na capital de lado para cuidar da mãe, Lúcia, e do irmão, que só tinha 13.
    Mudamos de assunto e a conversa prosseguiu. Paramos umas cinco vezes, por causa dos afazeres de um instrutor. Quando chegou o meio-dia, tive que ir para casa. E ele foi comigo, porque tinha certeza de que a mãe e o irmão estavam lá também. Quando cheguei, não fiquei surpreso que ele estivesse com a razão. Nossas mães, Claire e Lúcia (até os nomes combinavam) estavam conversando animadamente, e Jonan esperava por Melissa, que deveria chegar em uns quinze a vinte minutos. Sentei-me junto aos irmãos e nós três (e mais tarde nós quatro, quando minha irmã chegou) ficamos conversando. Foi um dia bom. Mas passou rápido demais, assim como todos os próximos.



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    Comentarios adicionais

    1.
    Pode não parecer, mas o livro é SIM de fantasia. O "sobrenatural", vamos chamar assim, só começa a ser constante mais tarde. Provavélmente no capitulo 6 ou 7, ou ainda mais longe.

    2.
    Primeiro post, já invadindo o site e colocando uma historia xD

    Me sinto um pouco mal por isso, mas não achei assunto para falar em nenhum dos topicos que visitei. Tentarei me manter ativo aqui neste forum. Tentarei apenas.

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    Autor :: Fábio Cardeal da Natividade


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    Isie Fernandes

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    Re: [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

    Mensagem por Isie Fernandes em Dom Mar 07, 2010 7:41 pm

    Oi, Fábio!

    Legal te encontrar aqui! O fórum está muito interessante, ainda mais para mim que não era chegada à Fantasia... Acho que estou melhorando nesse sentido. Laughing
    Não vou comentar dessa vez, tudo bem?

    Grande abraço!
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    javert

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    Re: [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

    Mensagem por javert em Dom Mar 07, 2010 9:33 pm

    legal, interessante voce dizer que apesar do começo o seu livro é de fantasia, o meu tem o mesmo fardo, é fantasia apesar de parecer ficção, nos capitulos avancados tem dragoesm fadas , deuses milenares, profecias e escolhido, elementos batidos em uma historia de ficção mas contada de um modo no qual acredito não ter igual.
    é isso ai f-card-deal, vamos incentivar o povo a ler até chegar no ponto onde a fantasia é constante e inegavel...hwhahah eu e meus comentarios nonsense.

    f-card-deal

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    Re: [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

    Mensagem por f-card-deal em Dom Mar 07, 2010 11:52 pm

    Isie

    Bem, não se preocupe em comentar, principalmente porque você JÁ comentou em outro forum xD

    Espero que você tenha uma visão mais ampla do genero fantasia, afinal ele é um dos que mais "puxa" a criatividade do autor. Sempre é bom ter alguma habilidade no irreal, nem que seja para saber as medidas de seu oposto.

    Isso me lembra de um fato... "Todo bom escritor é um bom mentiroso".

    javert

    Obrigado por comentar! O meu texto com certeza não terá dragões, nem fadas, mas talvez deuses milenares cheguem perto do meu objetivo xD

    O meu livro vai começar a ter um ambiente mais "fantastico" com o decorrer dos capitulos. Talvez chegue a ter toques de outros generos, como terror, mas ainda não tenho certeza.


    é isso ai f-card-deal, vamos incentivar o povo a ler até chegar no ponto onde a fantasia é constante e inegavel...hwhahah eu e meus comentarios nonsense

    Pode ser nonsense, mas faz sentido. Continue falando desordens assim e vai virar filosofo. Brincadeiras...

    Boa sorte para nós!
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    Isie Fernandes

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    Re: [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

    Mensagem por Isie Fernandes em Seg Mar 08, 2010 2:29 am

    f-card-deal escreveu:Isie

    Espero que você tenha uma visão mais ampla do genero fantasia, afinal ele é um dos que mais "puxa" a criatividade do autor. Sempre é bom ter alguma habilidade no irreal, nem que seja para saber as medidas de seu oposto.

    Isso me lembra de um fato... "Todo bom escritor é um bom mentiroso".


    Oi, Fábio.
    Quem sabe termino escrevendo a minha própria história de fantasia... Agora, quanto à citação, se for assim, estarei perdida! bounce
    Até breve!

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    Re: [f-card-deal] Caminho Entre Luz e Trevas (1)

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